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Bombas para ordenha de leite materno e outros aparelhos PDF Imprimir E-mail
Por Elisabet Helsing, Pamela Morrison e Felicity Savage   
15 de Junho de 2009
O uso desses dispositivos deve-se restringir a situações em que haja evidências razoáveis de que contribuirão para proteger, conservar e melhorar a produção de leite materno e, realmente, ajudarão as mães efetivamente a amamentar.

Elisabet Helsing, Pamela Morrison e Felicity Savage

27 de maio de 2009

Posição da WABA (World Alliance for Breastfeeding Action) sobre as bombas para ordenha de leite materno e outros aparelhos


Receber o leite materno diretamente das mamas é importante. O leite materno é específico para
cada espécie e fornece alimento, carinho e proteção imunológica determinada pelo meio
ambiente onde vive o bebê. Amamentar vai além de “dar leite materno”. Amamentar
proporciona ao bebê o contato pele a pele com sua mãe várias vezes ao dia; isso o acalma e
estabiliza fisiologicamente, uma vez que a sucção libera hormônios na mãe que melhoram sua
resposta emocional à criança. Todos esses efeitos são vitais para o desenvolvimento neurológico
e a saúde psicológica do bebê.

O aleitamento materno existe há milhares de anos sem os aparelhos especiais hoje vistos como
necessários. As bombas de ordenha e os protetores de mamilo, em seus vários modelos, foram
usados já no século XVI por mulheres das classes mais altas quando apresentavam mamas
ingurgitadas ou outras dificuldades, ou quando queriam ficar longe dos filhos por alguns
períodos. Após a Segunda Guerra Mundial, surgiu o sutiã para amamentar, as bombas de
ordenha primitivas e outros recursos destinados a um mercado cada vez menor de mulheres
que amamentavam. Na década de 1970 esse mercado cresceu, uma vez que as mulheres em
alguns países voltaram a amamentar após um período de declínio marcante. Hoje, a maioria das
mães tem consciência da importância e do valor do seu leite para os filhos. Porém, com a perda
da habilidade para amamentar e o retorno à vida profissional poucas semanas após o parto,
muitas mulheres, sem necessidade, tornam-se usuárias das bombas de ordenha e dos
dispositivos para alimentar o bebê ao invés de amamentá-lo.

A WABA está preocupada com o fato de as bombas de ordenha e outros aparelhos serem hoje
comercializados de maneira a induzir as mulheres ao seu uso desnecessário, prejudicando a
prática da amamentação e a saúde da mãe e da criança. Muitos aconselhadores e pessoas que
auxiliam as mães passaram também a acreditar que o uso desses dispositivos é algo normal e
necessário. Isto ocorre particularmente em sociedades que desestimulam a amamentação em
público, nas quais impedimentos sociais tornam difícil a prática de amamentar e onde leis mais
frágeis resultam em uma licença-maternidade curta e instalações/providências insatisfatórias
no local de trabalho.

As bombas e outros dispositivos são, sem dúvida, úteis em alguns casos: quando a mãe ou o
bebê tem problemas graves, seja em consequência de uma condução inadequada da
amamentação, ou quando os dois, inevitavelmente, são separados. Há necessidades reais que
podem ser definidas. Este é o verdadeiro mercado. No entanto, os mercados não se ajustam,
automaticamente, às necessidades reais e podem ser criados e manipulados. A tendência das
pessoas/empresas que vivem destes mercados é fazer de tudo para que eles cresçam,
independentemente das reais necessidades. Em muitos casos, isso não significa uma influência
negativa para a saúde e bem-estar das famílias. Mas o uso desses aparelhos pode perturbar o
tênue equilíbrio entre mãe e bebê, considerando que é a sucção da criança que regula a
produção do leite materno. A seguir, temos alguns exemplos que, de modo algum, esgotam a
quantidade de itens especiais comercializados hoje para as mulheres que amamentam:

♦ Chupetas - O uso da chupeta pode levar o bebê a sugar menos; a redução no estímulo das
mamas leva a mãe a produzir menos leite e, desta forma, a interromper prematuramente a
amamentação. Trata-se de um fator de risco, em especial, nas primeiras 6 a 8 semanas de
vida do bebê, quando a sucção e o uso dos músculos da boca e ao seu redor ainda não estão
bem estabelecidos.

♦ Protetores de mamilo (borracha ou silicone) – Estes produtos costumam ser utilizados para
ajudar o bebê a abocanhar uma mama com mamilo invertido ou para diminuir o incômodo
nos mamilos doloridos e lesionados. Entretanto, o uso inadequado desses itens pode
comprometer a capacidade do bebê fazer uma pega adequada da mama. Por isso, devem ser
usados somente quando os métodos fisiológicos para melhorar a pega e ou o tratamento dos
mamilos tenham sido tentados, mas não se alcançaram os resultados esperados. Quando
utilizado nestes casos especiais, deve-se acompanhar de perto a evolução do quadro,
buscando manter seu uso pelo menor tempo possível.

♦ Absorventes ou forros para as mamas – Eles protegem as roupas contra vazamentos de leite.
O uso daqueles revestidos com plástico deve ser desestimulado, porque mantém a pele
úmida, aumenta as chances de proliferação de bactérias, provoca a sensibilidade ou infecção
dos mamilos.

♦ Bombas de ordenha - A necessidade, geralmente, decorre de situações em que mãe e bebê
têm que ser separados ou diante de um comprometimento da saúde física da mãe ou da
criança. Elas podem ainda ser necessárias para mulheres que não conseguem retirar
manualmente o leite, com eficiência, a ponto de não continuar a amamentar sem esse tipo de
ajuda. Em todos esses casos, recomenda-se usar a bomba pelo menor tempo possível, até
que a mãe aprenda a fazer uma expressão manual eficiente ou possa iniciar ou retomar a
amamentação. O objetivo deve ser sempre proteger o aleitamento materno e manter ou
aumentar a produção de leite.

O mercado das bombas de ordenha deve, portanto, ficar claramente circunscrito. O entusiasmo
excessivo do marketing leva ao uso errôneo, inadequado e desnecessário e até mesmo à
dependência do aparelho. As mães chegam a oferecer seu próprio leite em mamadeira, como
um substituto da amamentação. Além disso, a utilização de bombas de má qualidade e
ineficientes, o uso precoce ou por tempo prolongado podem levar a uma drenagem inadequada
do leite das mamas e contribuir para o fracasso da lactação.

A WABA está preocupada com o surgimento de um potencial conflito de interesses, caso os
profissionais da saúde e aconselhadores em lactação venham a receber financiamento ou
patrocínio de fabricantes de bombas e outros dispositivos de auxílio à amamentação. Os
profissionais da saúde e aconselhadores da amamentação precisam continuar firmes, sem
influências, na realização de seu trabalho de aconselhamento das mães. O uso desses
dispositivos deve-se restringir a situações em que haja evidências razoáveis de que contribuirão
para proteger, conservar e melhorar a produção de leite materno e, realmente, ajudarão as mães
efetivamente a amamentar. A recomendação de um desses produtos deve ser determinada pela
eficiência e adequação conhecidas para cada mulher em particular. De forma alguma deverá
ocorrer qualquer influência comercial nesse aconselhamento.

 

Traduzido por Regina Garcez, colaboradora da IBFAN Brasil, regina.garcez@gmail.com
Revisto por Tereza S. Toma, pesquisadora do Instituto de Saúde/SES-SP e membro da IBFAN
Brasil

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