| Construindo a relação mãe-bebê |
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| Por Adriana Tanese Nogueira | |
| 09 de Novembro de 2004 | |
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Apesar de acharmos que o amor materno não nasce porque já existe, a chegada do bebê vai sacudir inúmeras crenças. É a mesma situação de quando, meninas, brincávamos de bonecas e imaginávamos situações românticas. Ao encontrar o parceiro, a realidade mostra como são complexas as relações e como precisam de tempo para se estabilizarem. Relacionar-se é um processo, não um estado.
O mesmo vale com o bebê, com a dificuldade de que ele não fala nossa linguagem e aciona mecanismos profundos emocionais e sentimentais com os quais precisamos aprender a lidar. Em quantas situações podemos ficar assustadas sem saber o que está acontecendo? Imaginamos então desastres e perigosos muitas vezes infundados. Somos empurradas a tomar atitudes quando nem sempre temos clareza sobre o que é melhor fazer. Precisamos decidir rapidamente e agir ou deixar de fazer e confiar na natureza. O vínculo mãe bebê começa desde a relação intra-uterina, mas se desenvolve de verdade durante mamadas, trocas de fraldas, decisões responsáveis, toques e olhares; mães e filhos vão se descobrindo, se conhecendo ao longo das horas, dias, meses e anos em que convivem. Parece então que o amor cresce, se fortifica, amadurece. O amor precisa de tempo para se tornar uma realidade. Mesmo para as melhores e mais resolvidas das mães o amor pede um tempo para se tornar uma realidade efetiva. Uma das primeiras formas de estabelecer o vínculo com o bebê é a amamentação (LINK), que é alimentação e relação (sintetizando o amor). Outra forma é o toque: após o primeiro mês de vida se pode fazer Shantala e já no primeiro mês pode-se usar o Toque da Borboleta, suave e calmante. Conversar e contar, mesmo que o bebê não entenda racionalmente, é um bom começo de relação. O tom da voz, a qualidade da energia emanada pela mãe faz a diferença. Quando contamos para alguém de forma honesta e tranqüila o que está acontecendo, lhe transmitimos também uma energia confortadora e acolhedora. É esta que o bebê recebe. Não é necessário sempre distraí-lo fazendo brincadeiras e parodiando nossa voz e feição como se fôssemos palhacinhos de pano. Os bebês têm uma profunda seriedade para com a vida. O que eles estão vivendo é primordial, essencial e urgente. Enfim, o vínculo com o bebê refletirá também quem a mãe é. É importante lembrar sempre que uma relação é de mão dupla. Cada um é um e os bebês já são indivíduos singulares e únicos, contudo seu crescimento e modo de ser espelhará também a realidade da mãe, quem ela é, que tipo de pessoa e mulher é, suas crenças, seu estilo de vida e seus desejos (ditos ou escondidos). Para uma boa qualidade do vínculo mãe-bebê é preciso que o primeiro sujeito desse vínculo – a mãe – cuide de si mesma, detecte suas necessidades e procure aquilo que lhe faz bem e a possa ajudar.� |





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