| Parto domiciliar na água, rápido e feliz |
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| Por Maíra Duarte* | |
| 10 de Março de 2009 | |
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Nascimento de Benjamim - aquele que já traz o bem em si.
Quando terminou a acupuntura eu levantei, e já veio uma contração de intensidade média. Logo depois, mais uma. Fui almoçar e no meio do almoço, já estava grau alto de dor. Subi para o quarto pedindo bolsa de água quente. Eu me assustei com o ritmo com que as coisas estavam acontecendo. Meus planos eram de, após o almoço chamar a Violaine, osteopata que eu amo que acompanha partos e me acompanhou nas duas gestações. Simplesmente não consegui! Não conseguia mais pensar em nada que estivesse fora dalí e precisava do Gil e da Betina o tempo inteiro comigo, auxiliando. Um segurava bolsa, o outro apertava meu quadril e o crescente foi crescendo ainda mais, sem que eu pudesse imaginar onde poderia chegar. Foi bem intenso, em alguns momentos bastante dolorido. Até pensei em ir para o hospital receber analgesia, mas graças a Deus não deu tempo de elaborar a idéia. Fiz o exame de toque em mim mesma e já dava para sentir a cabecinha dele. Estava com quase 8 cm. Decidi ir para a banheira e mais uns 30 minutos já entrei no expulsivo. Ao todo foram 2h45min. de trabalho de parto, bem diferente das quase 18 horas do meu primeiro filho. A saída dele foi tão linda que consegui sentir até prazer. Percebi cada milímetro do corpo dele passando por mim. Não fazia força, deixava que meu corpo se encarregasse de enviá-lo ao mundo. Colocava reiki na cabecinha que ia se apresentando de vagar e como estava na água deu pra relaxar bastante. Nasceu dentro da bolsa de águas. Veio para o meu colo sem chorar, meio molinho, de olhos abertos. Foi encarnando aos poucos com uma massagem suave feita pela Betina e oxigênio jogado de longe, até dar uma reclamada que não dá para chamar de choro. Um olhar... um tamanho... Na hora em que ele nasceu tocou uma música linda que tínhamos colocado na nossa play list, dizia assim: "Tu Benjamim, flor de amor, foi Deus do céu quem nos mandou. A virgem mãe que acompanhou tu, Benjamim flor de amor..." Ainda não sabíamos o nome dele e para gente esse foi um bom sinal. Após, amamentar, cortar cordão, parir a placenta e curtir a água mais um pouquinho, fui me enxugar. O bebê foi para as mãos do neonatologista Cacá, para ser examinado no quarto, acompanhado pelo pai. A Betina ficou comigo, avaliou se tive laceração (nenhuma!) e fui para o quarto também. No dia seguinte ao parto eu estava no quarto amamentando e pensando “esse menino precisa de um nome”. Ele era tão pequeno e eu achava que um nome ia trazer mais presença terrena, a força do elemento terra que segundo o Ayurveda promove estrutura, construção. Nesse exato momento entrou o Gil, meu companheiro, sentou-se ao meu lado e disse: “Sabe o que traz o nome Benjamim? É o bem já em mim, traz o bem com ele”. Eu comecei a chorar emocionada e então percebemos que era esse mesmo o nome do nosso filho. Lembrei-me de uma gravura que ganhamos de uma amiga no nosso casamento, 3 anos atrás e estava desde então enrolada em um canudo no armário. “Pega um rolinho que tem dentro desse armário”, falei para o Gil. Abri a gravura que era linda, uma mulher grávida de vestido florido. Notamos um título que estava escrito a lápis, bem pequenininho: “Esperando Benjamim”. Pronto, agora está confirmado, disse o Gil. Olhamos pra a criança e falamos: seu nome é Benjamim. Fiquei toda arrepiada.
O sentimento que transborda em mim desde então é a GRATIDÃO pelos que acompanham e auxiliam com suas presenças a trajetória da nossa família. Tenho imensa gratidão também pelos seres de luz que iluminaram aquela noite linda. Sim, eu os senti vivamente e acredito que a concentração e a prece que fizemos juntos no começo do trabalho de parto trouxe forte guarnição. Minha médica Betina, o neonatologista-doulo Cacá, a auxiliar geral Manô e a osteopata Violaine que nos acompanharam também recebem minha plena gratidão. E meu companheiro Gil... bem, sem ele nada disso teria acontecido e nem tenho como descrever o que sinto por esse ser iluminado com quem compartilho a vida. Estou transbordando de amor e alegria e enviando isso tudo ao universo. Se todas as mulheres tivessem o direito garantido de passar pelo que acabo de viver e se toda criança tivesse o direito garantido de ser recebida com o respeito com que Benjamim foi recebido certamente faríamos parte de uma humanidade mais feliz e pacífica.
* Maíra Duarte, 31 anos, Terapeuta Holística, São Paulo (SP). Contato: mairaduarte@gmail.com HTML Comment Box is loading comments...
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