| Parto domiciliar na água com visão final |
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| Por Adelise Noal Monteiro* | |
| 09 de Março de 2009 | |
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Nascimento de Maria Luisa, mãe primigesta, parto rápido e iniciático.
“E isso será para ti um sinal de Totalidade e de Unidade” Último sonho descrito de C. G. Jung
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C. G. Jung, diz que “não há técnica nem doutrina terapêutica de aplicação genérica”, visto que cada caso tem sua especificidade. O mais importante é estabelecer uma relação de confiança, e não demonstrar uma teoria clínica. Para Jung, todo tratamento é diálogo e encontro. A questão não era treinar ou educar de acordo com algum tipo de método. Em vez disso, sempre tentava ajudar a pessoa a encontrar a paz consigo mesma por meio das mensagens enviadas pelo seu próprio inconsciente. Eu sentia ser esse o papel do obstetra ou da parteira: assistir a vinda à luz do dia de um processo natural, o processo de penetração no próprio Self. Jung fala que o médico precisa dominar uma técnica e logo em seguida abandoná-la para poder mergulhar no espaço secreto de onde se pode dar a mão e trazer uma pessoa de volta; tratar e curar este é o ofício, esta é a arte. Então vamos aos fatos que levaram a este nascimento. Maria Clara, 21 anos, primigesta desejou um parto diferente do que se vê hoje, mas igual ao que cresceu ouvindo de sua mãe e avós; mulheres que tiveram filhos com parto normal em casa. Descobriu o site: www.amigasdoparto.org.br passou a se informar sobre o movimento de humanização do parto, entrou em contato com Adriana Tanese Nogueira e assim nos conhecemos, primeiramente através de contato por email. No período do pré-natal, construimos juntas as condições adequadas visando o parto na água em casa. Seu objetivo maior era desenvolver a capacidade de ser ativa em seu próprio trabalho de parto. Sonhou com o parto na água! Perguntou e encontrou as respostas que precisava. O tempo cronológico é suspenso e entramos no fluxo arquetípico, como diz Mircea Eliede, historiador de religiões, saímos do tempo profano e entramos no tempo sagrado. Cada contração é um giro dentro do prisma onde estão os componentes das vias instintivas de um lado e arquetípico/espirituais de outro. A criança em seu trajeto de descida... girando... Lembrando a música de Chico Buarque, Roda Viva: ”Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda pião. O tempo rodou num instante, nas voltas do meu coração...” Entramos neste giro, compartilhamos! Até que um grito vindo das entranhas maternas libera a energia máxima anunciando a passagem da cabeça pela porta estreita deste lado de cá da vida. Um instante, um segundo, como nos ensina Buda, a iluminação acontece num instante. Assim, se faz presente a luz da nova vida, germe da nova consciência que virá no decurso do tempo. O ambiente aquático e substituído pelo ambiente aéreo. A primeira respiração! E a vida diz: Louvado seja!!! Agora é preciso aquecê-la. Tão pequena, tão frágil... mas de grande poder! Um espaço de tempo para os festejos e logo atenção, porque ainda temos a saída da placenta. Para isso acontecer com perfeição precisamos da ajuda de nossa recém-nascida sugando pela primeira vez o leite materno, nutrição sagrada, laço eterno. A sucção libera ocitocina, hormônio chamado por Michel Odent de hormônio do amor, estimula a produção do leite, bem como as contrações uterinas. É o que se precisa para haver o despreendimento da placenta. A todo momento a vida nos ensina que devemos estar em harmonia, o meio interno, o meio externo e todos os seres que compõem esta paisagem. Aqui, no terceiro periodo do trabalho de parto, Maria Clara teve uma visão. Ela disse: estou vendo Jesus, e repetiu algumas vezes mais: estou vendo Jesus. Embebida de estase, ainda sem acreditar em todo o processo ocorrido. Nas descrições sobre parto na água a vantagem mais clara para a mulher é a diminuição das dores na contração. A falta de gravidade, o calor e a pressão da água sobre o ventre são suficientes para diminuir as dores. Outra vantagem é o baixo consumo de energia pelo organismo materno na água. As contrações são mais curtas e mais suaves, e apesar disso, são suficientes para o progresso do parto, e até pode ser acelerado por causa do maior relaxamento materno. Lacerações ou ruptura perineal geralmente são pequenas e superficiais, quase nunca precisam de sutura. O parto na água proporciona ao recém-nascido uma passagem lenta, passo a passo, da vida intra para extra uterina. O que também pude constatar neste parto. Maria Clara não quis que fosse feita sutura da pequena laceração perineal. Apenas foi feita assepsia do local e prescrito banhos de assento e compressas com ervas cicatrizantes. Se sabe que elas cicatrizam em 3 a 5 dias após o parto e não temos registro de infecção em casos semelhantes. “Salve o conforto da força, a força de Iemanjá. Salve o comando das águas, salve a rainha do mar...” Quando se alcança o TAO, o espírito do mundo e da vida eterna, os chineses dizem: Termino este relato com as mãos unidas na altura do coração e a cabeça curvada em reverência.
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