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Retomando a amamentação PDF Imprimir E-mail
Por Hildegarth Schultz*   
09 de Novembro de 2004
Feliz é a mulher que te deu à luz e te amamentou
Evangelho de Lucas, cap. 11, vers.27

A amamentação pode ser definida como um gesto maravilhoso que fez propagar a nossa espécie. Entretanto, a espécie humana parece desistir desta ação tão importante, haja vista que o único animal racional sobre a superfície do globo terrestre, tomado pela ânsia do conhecimento e pela busca constante de tecnologia, comete a insensatez de deixar o ato de amamentar em segundo plano.
As mulheres, em razão da política tecnocrata vigente, têm em suas mentes conceitos errôneos que as afastam do louvável ato de amamentar. Acreditam em mitos infundados, como o leite fraco, o peito caído e o leite insuficiente. Esses fatores inconseqüentes, somados a uma sociedade agressivamente capitalista, que valoriza a indústria de alimentos e produtos infantis (surgidos para substituir o leite materno), criaram uma situação irresponsável. Hoje, somos obrigados a proteger um ato natural e voluntário do animal mamífero através de leis, normas e estatutos. Temos de investir na reeducação das mulheres e precisamos estar constantemente vigilantes quanto a famigerada industria alimentícia, cujos produtos impensados resultam em danos bio-psíquicos sofridos pelo binômio mãe-bebê, além de aumentar os casos de cânceres, diarréias e outras patologias. Amamentar foi sempre considerado um ato de grande importância, mencionado até nas Escrituras Sagradas. Nada neste mundo poderá substituir o amor único e incondicional transmitido de geração em geração por meio de atos como a amamentação.

Seus benefícios são inúmeros. Do ponto de vista nutricional o leite materno é completo, de fácil digestão, apresenta temperatura adequada, fornece anticorpos (proteção contra doenças), é fundamental para a formação da arcada dentária, reduz o risco de mortalidade no primeiro ano de vida, fortalece o vínculo mãe-bebê e melhora o desempenho em testes de inteligência.
Estendendo as vantagens para a mãe, percebemos que a nutriz perde peso mais rapidamente, apresenta redução do sangramento genital (lóquios) e da ocorrência de câncer mamário e de ovários, tem satisfação pessoal e realização como mulher e mãe. Por essas razões, é essencial que o bebê seja amamentado, ao menos até o sexto mês de vida.

Logo após o parto aparece o colostro, um líquido cujo aspecto lembra uma água meio amarela ou esbranquiçada. Ele é muito importante, protegendo o bebê contra as infecções. Somente três dias depois ocorre a descida do leite de transição, rico em calorias. Na seqüência, vem o leite “maduro”, que possui as proporções exatas de nutrientes, gorduras, calorias, vitaminas e líquidos que o bebê necessita para se desenvolver.

Infelizmente, mesmo ciente de todos este benefícios, muitas mulheres deixam de amamentar seus filhos. Das 92% que aderem à amamentação exclusiva, somente 10% a manterá por seis meses, em razão das primeiras dificuldades, da falta de orientações e de influências externas. Por isso, queremos ressaltar que é urgente alterarmos este quadro. É preciso voltar às origens, conscientizando as mulheres sobre a importância da amamentação para o desenvolvimento de seu filho.

* Hildegarth Schultz é enfermeira obstetra num hospital privado em São Paulo.�
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