| Amamentar a Consciência da Espécie |
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| Por Adelise Noal Monteiro* | |
| 28 de Julho de 2008 | |
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Na análise, a maior parte de nossas dificuldades vêm da perda de contato com nossos instintos, com a sabedoria antiquíssima e não esquecida que se encontra guardada em nós. C.G.Jung, 1936
Como podemos ser mais eficientes para nutrir nossos filhos, como perder menos tempo com os incômodos próprios deste envolvimento? Perguntas que nos faz o pensamento corrente desta sociedade que quer resultados satisfatórios e rápidos. A sociedade moderna, pós-moderna, a mais recente sociedade desconstrutivista que gerou o aquecimento planetário com as consequentes alterações climáticas devastadoras, como os ciclones, os terremotos, os furacões,as inundações, por caminhos tortuosos e insconciente na sua grande maioria, foi perdendo a capacidade de manter os vínculos essenciais com a vida, com a natureza feminina que existe em cada e em todo ser vivo. Tudo ficou tecnológico, científico, assim pensávamos que seríamos protegidos do inesperado, quisemos saquear como piratas, tesouros insondáveis. Uma sociedade que supervalorizou o saber intelectual, não fazendo disto uma qualificação negativa mas, olhando como que para uma corda elástica sendo puxada ao extremo. Gradualmente este pensar científico, semiótico e coletivista foi minando nossa auto-estima. O indivíduo e tudo que lhe diz respeito; esmagado. Nosso tempo presente está ainda a duvidar desta habilidade intrínseca. Essa é uma reflexão que ultrapassa as questões de parir de forma natural e amamentar, ela traduz um perigo eminente de extinção como espécie, como uma lesão de contra golpe geramos condições de restrição à vida de outras espécies devido ao nosso desequilíbrio biopsicosocial. Estas ações equivocadas se voltaram contra nós mesmos, nos afastando da via instintiva, criando armadilhas para nosso próprio caminho. Portanto, temos muito trabalho para desobstruir nossa visão de mundo e mudar o paradigma atual. Muitas ações sociais educativas são necessárias. Olhemos então, para as mulheres. Infelizmente, ainda existem profissionais da saúde que deixam de apoiar ou não confiam na capacidade da mãe para "engordar" seu filho com seu próprio leite e as fazem "suplementar com leite em pó". A fragmentação da assistência pós-natal, e uma falha na compreensão das técnicas de amamentação, impede muitos profissionais de adquirirem estas habilidades. Preciso é, dizer não às receitas que nos desqualificam. Não há evidências que apoiem a prática disseminada de oferecer água, glicose ou mamadeiras aos bebês amamentados no peito. Não há dados que justifiquem a imposição de horários a amamentação e a frenquência das mamadas não deve ser restrita. No início de uma mamada o bebê ingere um grande volume de leite pobre em calorias e, no fim da mamada recebe um menor volume de leite rico em calorias. Assim, se reduzirmos os minutos de mamadas também se reduz a ingestão calórica. Portanto a duração da mamada não deve ser limitada. Um bebê precisa dormir e comer de acordo com seus próprios ritmos individuais e não com regimes arbitrários. Ainda temos que considerar a questão relativa ao suprimento de leite, o chamado leite fraco ou insuficiente. Países como a Escandinávia com altos índices de manutenção da amamentação, relatam pequena casuística deste problema. Observações em sociedades tradicionais sugerem que menos de 1% das mulheres seriam fisiologicamente incapazes de produzir um suprimento adequado de leite (2). A melhor forma de evitar a insuficiência de leite é a alimentação irrestrita de um lactente bem posicionado, enquanto sua mãe recebe bom suporte prático e emocional. Ter calma. Suspender a necessidade de respostas rápidas e não se angustiar com a dificuldade inicial. O posicionamento do bebê na mama tem papel fundamental, tanto na prevenção de feridas nas papilas mamárias quanto no estabelecimento eficaz da amamentação. Confiança! Somos fêmeas mamíferas diante do mergulho numa piscina de possibilidades nas camadas originárias da vida. O parto, o nascimento, a amamentação são momentos de expressão arquetípica, onde o substrato formador do ser se manifesta. Por ser tão excepcional, vem carregado de uma grande quantidade de energia afetiva e emocional que mobiliza a todos participantes do evento. Porém, não podemos esquecer que é prerrogativa do binômio mãe-filho fazer as escolhas, sem imposição. O princípio é de acolhimento porque o que vem, traz consigo uma bagagem muito maior do que podemos avaliar pela ótica conhecida. Nosso cérebro conservou anatomicamente no seu centro, o tronco cerebral como sede das vias instintivas. Abrir as comportas, ir ao centro, empreender uma jornada em regiões profundas. Tempo... paciência... calma... confiança... Voltar-se para dentro é o que significa a palavra latina reflexio. Em meditação contínua, mãe e bebê. Longe dos barulhos do mundo externo, dos emaranhados das mentes. As primeiras horas, a primeira semana são as de maior atenção. Pode-se dizer que é muito difícil, com certeza o é, principalmente quando existir alguma fragilidade física e/ou psiquica. Muitos problemas enfrentados pelas mulheres que tentam amamentar seriam evitáveis se todas as lactantes tivessem acesso a informações precisas, bem como ajuda e suporte práticos quando necessitassem. Como disse James Hollis: Está em nós, dentro de nós. Não se pode acessar através da mãe, da amiga, da médica ou de quem quer que tenha passado pela experiência. A experiência de outra mulher pode ser valiosa como pode ser desencorajadora. Portanto, agora é a nossa vez! O palco é nosso. Nosso é o drama, nosso é o laboratório! HTML Comment Box is loading comments...
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