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Parto domiciliar após cesárea Eu tenho um filho de cinco anos de idade, ele nasceu de um parto cesariano. Após 3 horas de trabalho de parto eu estava com dilatação total mas meu filho não rodou a cabecinha para a posição correta e não se encaixou na pelve. :: Veja as imagens
A cesariana marcou o inicio de um mar de frustrações. Na época eu queria muito um parto vaginal, mesmo sem saber muito bem o que era isso, apesar de ser obstetra e já ter acompanhado inúmeros partos não sabia qual seria a dor, nem a dimensão deste acontecimento para mim.
Na época, combinei toda a assistência àquele parto com uma obstetra e uma anestesista, ambas docentes renomadas da universidade. Tudo estava metodicamente planejado. E daí ele veio de cesariana, o que me custou uma falta de identificação com meu filho. Demorei meses até reconhecê-lo e aceitá-lo como filho, não consegui amamentá-lo adequadamente. Culpei-me demais e é claro que entrei na depressão pós-parto.
Demoraram alguns meses até que eu me recuperasse. Não pensava em ter mais filhos, tinha medo que a mesma história se repetisse. Após muita insistência da parte de meu marido, resolvi tentar uma nova gestação, mas sem ter certeza de eu mesma estar querendo. Apeear disso, fui atrás para tentar criar uma história diferente. Em primeiro plano, optamos por não utilizar o hospital universitário, por ser “povoado” demais e acadêmico demais; ao invés disso, escolhemos um hospital de nível secundário da cidade.
Em segundo lugar, a obstetra seria alguém não acadêmico, tranqüila, porém boa parteira, pois ainda queria um parto vaginal. Em terceiro lugar, não firmei compromisso com nenhum anestesista, pois não queria pensar em cesariana.
Em quarto lugar, combinamos com uma pediatra também bem tranqüila, que só intervém quando existe uma real necessidade.
Mês a mês um martírio com a sombra do medo de tudo se repetir. Completei 39 semanas de gestação, e, não sei por que, tinha imaginado que minha filha nasceria antes desta data. Como não nasceu no período que eu havia imaginado fiquei extremamente ansiosa e já não acreditava na possibilidade de um parto vaginal, pois o neném nem se quer havia se encaixado na pelve. Além disso, toda minha família, com exceção de meu marido, me desencorajava: todos achavam que eu não teria um parto normal. Consulta após consulta a obstetra gastava muita saliva para conter meu nervosismo e ansiedade.
No dia 21 de abril de 2006 entrei na fase latente do trabalho de parto, mas muitas outras vezes já havia começado a sentir as contrações sem evoluir para trabalho de parto. Fiquei aguardando para ver como evoluiria, e no final da tarde minha obstetra me ligou para saber como eu estava e se podia fazer uma pequena viagem. Falei que achava que estava numa fase latente, mas não tinha certeza. Então ela resolveu não viajar e foi até a minha casa para me deixar o banquinho de parto e disse para eu deixar o neném vir.
Alí pelas 22h30 entrei em franco trabalho de parto, a dor era diferente e intensa que não me permitia qualquer posição de repouso, a não ser ficar de pé e às vezes curvada sobre o corpo. Mais tarde, percebi que as dores eram mais fortes porque o neném estava encaixado na pelve desta vez.
Às 23h30 entrei em taquissistolia, com 6 contrações a cada 10 minutos, quando o normal seriam 3 no máximo 4 contrações a cada 10 minutos, ou seja, não tinha pausa para descansar, quando uma contração estava terminando a outra já estava começando. Foi neste momento que eu e meu marido decidimos ir para o hospital e também chamamos a médica.
Os 90 minutos seguintes que levaram para minha filha nascer foram um pouco “loucura” para mim. Perdi totalmente o domínio do corpo, mas não da razão, imitou uma longa embriagueis. A única coisa que eu queria era que as contrações se espaçassem um pouco, pois temia que o nascimento demorasse em acontecer, mesmo minha médica falando que já estava percebendo minha vulva começar abaular, imaginava que o neném ainda não tinha rodado e ainda demoraria muito a nascer. Só acreditei quando ela me falou que já estava vendo os cabelinhos, então senti com minha mão a cabeça saindo devagar... INACREDITÁVEL! Depois o desprendimento dos ombros...
Sim, o inicio de um sonho: era verdade, eu havia CONSEGUIDO!! Minha filha havia se encaixado, rodado para a posição correta (OS) e nascido de um parto absolutamente natural, sem nenhuma medicação, sem episiotomia, sem nenhum toque, a não ser o meu próprio toque no momento do nascimento. eu marido me apoiou 100% do tempo, emocional e fisicamente, me segurando por trás enquanto estava dando à luz de cócoras. Eu pedi anestesia, mas o anestesista do plantão sempre demora a chegar e minha médica não fez questão alguma de apressá-lo, e por sorte ele não chegou a tempo, ainda bem!
Minha filha chegou com 3065g, chorando, à 1h12 da manhã de 22 de abril de 2006. Um simples obrigada não paga a realização de um sonho, mesmo assim... Obrigada Dra....
*Alexandra Cury Rojas tem 33 anos, é médica ginecologista e obstetra, vive e trabalha em Botucatu (SP). Seu e-mail de contato é: hpcmc@yahoo.com.br
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