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III Conferência Internacional sobre Humanização do Parto e Nascimento
26 a 30 de novembro de 2010 em Brasília-DF
Temas: a redução da morbimortalidade materna e perinatal, a redução dos índices de cesarianas desnecessárias, a garantia dos direitos sexuais e reprodutivos e a humanização da assistência ao pré-natal, parto, pós-parto.
Acesse o site da conferência aqui .

 

 

 
Câmara homenageia parteira com medalha de honra a Montes Claros PDF Imprimir E-mail
Por Anny Muriel - O Norte   
06 de Julho de 2010

Com um sorriso contagiante e a simpatia que lhe é natural, Antônia Colares relatou um pouco de sua trajetória de vida, uma admirável história de quase cinquenta anos de serviços prestados à Santa Casa de Montes Claros.

 


01/07/2010 - 08h59m

Anny Muriel
Repórter

Dona Tonha, como é carinhosamente conhecida, é natural da cidade de Grão Mogol, onde viveu até os onze anos de idade. Ela veio para Montes Claros na carroceria de um caminhão, em busca de melhores condições de vida.

- Na minha cidade, naquela época, as coisas eram muito difíceis. Por isso, meu pai, Antônio Colares, resolveu trazer a gente para Montes Claros. E desde pequena comecei a trabalhar para ajudar minha mãe no sustento da casa. Eu comecei numa fábrica de balas, depois na fábrica de tecidos Santa Helena, na limpeza do hospital Santa Terezinha, e depois fui morar na casa de Dona
Odília, mãe de Paulinho Narciso, a quem devo muito, por ter me colocado na Santa casa, quando trabalhava na copa - relembra.

Tonha começou a trabalhar na Santa Casa aos vinte anos de idade, e sempre procurava aprender de tudo um pouco, por isso foi chamada para ajudar as irmãs e médicos na realização dos partos.

- Antigamente, tinha poucos médicos. Então, quando a mãe chegava com o filho já pronto para nascer, eu simplesmente aparava a criança ali mesmo. Já cansei de fazer vários partos nas rampas do hospital, nas ruas e, até mesmo, dentro de um jipe, no ponto de só enrolar o bebê e levar para dentro do hospital. Era muita correria, mas era também muito gratificante - diz.

Recordação do ex-prefeito Mário Ribeiro

Antônia Colares conta ainda que tudo começou quando seu pai ficou internado no hospital. Como ela o acompanhava, acabou fazendo muitas amizades e foi muito amparada pela irmã Beata, que sempre a ajudava.

- A irmã Beata, para mim, é uma santa, que sempre intercede por mim nas minhas orações e nunca me abandonou. Meu grande desejo é que ela seja beatificada. Se a santificação dela fosse aprovada eu ficaria muito feliz, devo muito a ela, que até hoje me ilumina e olha por mim - diz, emocionada, Tonha, que afirma ainda que todos os partos que fez foi graças às bênçãos da
santa.

Tonha se aposentou há quatro anos e hoje não mais exerce a profissão, devido a problemas na coluna, mas confessa que sente muita falta e saudade daqueles tempos. Com setenta e cinco anos, ela visita constantemente os funcionários do hospital e relembra do antigo ambiente de trabalho.

- O engraçado é que eu só fui fazer o curso de auxiliar de enfermagem há quatro anos, porque na Santa Casa ministrava somente aqueles cursinhos básico mesmo. Eu aprendia tudo na prática, acredito que seja um dom que Deus me concedeu, mas aprender nunca é demais. Se não fosse o problema de coluna, estaria lá até hoje como auxiliar de parto - afirma a parteira, que diz ter
aparado aproximadamente 200 mil crianças em seus abençoados braços.

Em contrapartida, Tonha não tem nenhum filho legítimo. Ela nunca se casou e considera todos os bebês aparados como sendo seus filhos de coração.

- Só de afilhados, tenho uns trinta, que eu me lembre, além de já ter ajudado vir ao mundo pessoas que hoje exercem cargos políticos importantes, deputados e até médicos que hoje inclusive trabalham lá na Santa Casa - conta.

Quarta filha de uma imensa família, Tonha foi a primeira a trabalhar na área da saúde, e hoje já tem quatro sobrinhos que cursam Enfermagem e Medicina.Ela se diz satisfeita com o caminho que os sobrinhos escolheram.

- Sempre achei a área da saúde uma profissão muito bonita. Poder ajudar o próximo, contribuir de alguma forma, é uma bênção muito grande. Por isso, todos os dias peço a intercessão da irmã Beata para iluminar e conceder sabedoria a eles - diz.

Já foram mais de trinta diplomas e homenagens prestadas a Tonha. Agora, é a vez da câmara municipal, que este ano reconhece a parteira como exemplo de mulher guerreira e de um verdadeiro ser humano, através da concessão da medalha de honra a Montes Claros. O projeto de autoria do vereador Athos Mameluque homenageia esta cidadã no próximo dia 03 de julho, sábado, data em
que se comemora o aniversário da cidade.

- Para mim, é mais uma vitória do reconhecimento do meu trabalho. Bens materiais nunca tive não, mas a alegria e satisfação de ter convivido com pessoas tão bacanas me deixa realmente muito feliz. É muita satisfação mais esta homenagem que irei receber - conclui.

Fonte: http://www.onorte.net/noticias.php?id=28270

 
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