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O que é o colostro? É um leite especial que aparece por volta do 7º mês de gestação e vai até o sétimo dia de vida do bebê. É espesso, pegajoso e amarelo claro. É completo como primeiro alimento para o bebê, por ser rico em anticorpos que protege contra infecções, tem efeito laxante ajudando a eliminar o mecônio (primeiras fezes do bebê) e ajudando a prevenir a icterícia (coloração amarelada da pele do bebê); possui também fatores de crescimento que aceleram a maturação intestinal prevenindo contra alergia e intolerância. O seu volume por mamada é de aproximadamente 30 ml (10 a 100 ml/dia), que corresponde à capacidade gástrica do bebê no início de vida.
Quais são as três fases do leite materno? O leite materno passa por três momentos diferentes: o colostro que vai até o sétimo dia de vida do bebê, o leite de transição que vai do sétimo ao décimo quinto dia de vida do bebê, e o leite maduro a partir do décimo quinto dia de vida do bebê. No leite materno maduro podemos observar duas fases: uma chamada de anterior, ou seja, no início da mamada, onde o leite tem aparência acinzentada porque contém mais proteínas e uma fase posterior, ou seja, no final da mamada, com aparência branca porque contem mais gordura. O leite materno é uma substancia viva e de grande complexidade biológica, ele modifica-se conforme o período do dia, durante a mamada, conforme as necessidades do bebê e conforme as doenças com que a mãe já teve contato.
A amamentação exclusiva dispensa água e sucos? Até que idade do bebê pode ser levada adiante? Sim, a amamentação exclusiva, em condições de normalidade, é capaz de suprir todas as necessidades nutricionais do bebê, inclusive a hidratação, mesmo em dias quentes. Os complementos devem ser evitados porque interferem na vontade e capacidade do bebê mamar, principalmente se forem oferecidos através de “chucas” ou “mamadeiras”. A Organização Mundial de Saúde recomenda que os bebês mamem exclusivamente até o sexto mês de vida e que continuem mamando até os dois anos ou mais com a introdução de alimentação complementar oportuna.
O que fazer quando um recém-nascido está sendo alimentado exclusivamente com leite materno e não consegue ganhar peso? Quando um bebê está mamando exclusivamente e não ganha peso é preciso pensar em como este bebê está mamando, ou seja, se a "pega" está boa, sem rachaduras. Se estiver tudo bem com a "pega" então precisamos pensar com que freqüência este bebê está mamando: o ideal é a livre demanda, quando o bebê retira todo o leite de que precisa quando precisar; se tivermos a livre demanda e mesmo assim ele não ganha peso é preciso pensar se a mãe não troca o bebê de peito durante a mamada antes do tempo, sabe-se que o leite posterior, do final da mamada, contém mais gordura, portanto para assegurar um bom ganho de peso é preciso: boa pega, livre demanda e não trocar de peito durante a mamada. Se estes três itens estiverem ocorrendo e o bebê não ganha peso é preciso conferir a hipótese de infecção de urina, que é uma das causas de baixo ganho de peso em bebês recém-nascidos.
Como assegurar uma boa pega e boa posição? Procure manter o corpo do bebê próximo ao seu corpo, numa altura em que o nariz nivele com o mamilo, a cabeça e a coluna devem estar alinhadas formando uma linha reta e as nádegas apoiadas, então passe o mamilo entre o nariz e a boca do bebê, isto facilitará com que abra a boca, abocanhando boa parte da aréola e não somente o mamilo.
Qual a técnica correta para retirada do leite materno? Para quem amamenta, saber a técnica de ordenha pode ser muito útil para lidar com diversas situações, como por exemplo: aliviar ingurgitamento, liberar ducto bloqueado ou aliviar a estase de leite, alimentar o bebê enquanto ele aprende a sugar de um mamilo invertido, alimentar um bebê que apresenta sucção incoordenada, alimentar um bebê que “recusa” o peito até que ele aprenda a mamar, alimentar um bebê de baixo peso que não pode mamar, alimentar um bebê doente que não pode sugar o bastante, deixar leite materno para o bebê quando a mãe trabalha fora, prevenir que o leite escorra enquanto a mãe está longe do bebê, ajudar o bebê a pegar uma mama cheia, prevenir que a aréola e o mamilo se tornem secos e doloridos. O ideal é que a ordenha do leite seja feita manualmente porque é mais higiênica, segura e econômica. Porém algumas mulheres podem preferir usar uma bomba manual ou elétrica. Cada mulher deve ordenhar a sua própria mama. As mamas durante a lactação ficam sensíveis e podem machucar-se se alguém as tocar de maneira errada. Como proceder: Lave as mãos. Acomode-se confortavelmente. Segure a mama com a mão e coloque o recipiente próximo a ela. Coloque o polegar acima do mamilo e o indicador abaixo do mamilo, onde a pele muda de cor.
Pressione os seios lactíferos (que estão abaixo da aréola), entre o indicador e o polegar. Pressione e solte. No começo o leite pode não vir, com repetidas pressões ele começa a pingar e espirra se o reflexo de ocitocina é ativo. Pressione e solte: não deve doer, se doer a técnica está incorreta. Ordenhar uma mama pelo menos 3-5 minutos, até que o leite flua lentamente; ordenhe o outro lado e repita o processo em ambos os lados.
Como conservar o leite ordenhado? Utilize frascos de vidro de boca larga, limpos e com tampa plástica. Retire o papelão da parte interna da tampa e ferva por 15 minutos, o frasco e a tampa, e após isso deixe-os secar com a boca virada para baixo sobre um pano de prato limpo e passado a ferro. Congele o leite retirado imediatamente. Os prazos para armazenamento são os seguintes: Temperatura ambiente: 8 horas Geladeira (2º a 8ºC): 24 horas no fundo da primeira prateleira Freezer (-15 a -18ºC): 1 mês
Quais orientações devem ser dadas à nutriz que tem que retornar ao trabalho para a manutenção da lactação? Toda mulher tem direito a trabalhar, estudar, passear e continuar amamentando. Na situação específica de retorno ao trabalho, converse com a mulher para ver quais são as possibilidades dela permanecer o mais próximo possível do seu bebê para que possa amamentá-lo. A mãe poderá ir até o local que o bebê está para amamentá-lo, alguém pode levá-lo até o seu trabalho para que amamente e em algumas situações é possível que o bebê vá junto com a mãe ao seu trabalho. A mulher que amamenta tem direito por lei a 30 minutos de pausa para amamentar a cada 4 horas trabalhadas. Se nada disso for possível e a distância for muito longa, é bom sugerir que por volta de 15 dias antes do retorno ao trabalho comece a ordenhar o seu leite, de preferência manualmente, e a armazená-lo em frascos de vidro. O leite que for estocado poderá ser oferecido ao bebê no período de ausência da mãe.
Quais são as informações mais importantes para se passar à mãe no alojamento conjunto? Logo após o nascimento de um bebê é sempre útil antes de qualquer orientação pensarmos em três pontos importantes que podem vir a facilitar a amamentação.
1- O que pode preocupar uma mãe que acaba de dar à luz? 2- Como ajudar a mãe a superar as preocupações? 3- Como manter ou aumentar a autoconfiança da mãe?
Procure primeiro ouvir a mãe e compreender as suas necessidades, faça perguntas abertas e aceite os pensamentos e sentimentos da mãe, procure elogiar o está fazendo certo, lembre-se que ela passou por um processo anterior a este, a gestação, e você muitas vezes não a acompanhou e a está conhecendo agora. Dê ajuda para o que realmente precisa, às vezes ela precisa de comida, banho... para sentir-se mais disposta para iniciar sua nova jornada. Ajude a mãe a responder as necessidades do bebê: mantenha mãe e bebê juntos, dia e noite, ensine a mãe a identificar os sinais de fome, explique que mamadas freqüentes e ordenha manual estimulam a produção de leite, recomende deixar que o bebê determine a freqüência e a duração das mamadas, oriente sobre o que alivia as mamas quando estiverem cheias, colocando o bebê para mamar (acordar o bebê), explique que os bebês gostam de continuar sugando o seio mesmo após a mamada, isto costuma deixá-los calmos e seguros, deixe que o bebê solte a mama quando estiver satisfeito, não interrompa a mamada para mudar de lado, deixe esvaziar completamente uma mama para passar para a outra. Sempre confie na mãe e no bebê! Procure eliminar práticas prejudiciais como: - Não separe mãe e bebê rotineiramente. - Não limite o tempo das mamadas. - Não tenha normas de lavagem de mamilos. - Não oriente pomadas ou outros cicatrizantes. - Não pese o bebê antes e depois da mamada. - Não dê outros líquidos. - Não use bicos artificiais. - Não tenha normas que obriguem as mães a usar um certo tipo de roupa ou sutiã. - Não obrigue as mães a se sentar para amamentar. - Não permita brindes às mães contendo livretos ou amostras de leites artificiais, chupetas ou mamadeiras.
Como se deve preparar os seios para não ter rachaduras durante a amamentação? As principais causas de rachadura são: mau posicionamento e pega incorreta, uso de chucas e mamadeiras, aréola distendida e endurecida, pressão do dedo na aréola ao amamentar, limpeza da aréola com sabonetes ou loções, uso de óleos e cremes, uso de bombas, freio lingual curto e monilíase (sapinho). Portanto não há um preparo durante a gestação que possa prevenir estes problemas, o mais importante é garantir boa pega e posição desde o início e manter as mamas sempre macias, de modo a facilitar que o bebê abocanhe. Alguns cuidados durante a gestação e amamentação podem ajudar como: - lavar as mamas apenas com água, durante o banho. - não usar sabonetes ou loções no mamilo. - não limpar os mamilos antes das mamadas. - aplicar pequena quantidade de leite materno ao final da mamada se os mamilos estiverem doloridos. - O ar e sol são benéficos, mas não indispensáveis. Sutiãs não são obrigatórios. Procure usar aqueles bem confortáveis, que não apertem as mamas.
O que fazer quando o lei empedra? Em primeiro lugar, parabéns por estar persistindo com a amamentação! Amamentar com dor não é fácil! Vamos por partes, você precisa pensar o que pode ter levado a esta situação: muitas horas seguidas sem amamenatr nesta mama, dificuldade do bebê abocanhar esta mama, esvaziamento imcompleto em mama volumosa, roupas apertadas, sutiã ou a posição em que você dorme? É a mama toda ou parte dela? Às vezes uma região da mama fica bem avermelhada, quente e dura ( pode ser um ducto bloqueado = canal pelo qual o leite escoa). O tratamento para isso é massagear a região e fazer ordenha, quando a aréola estiver macia por o bebê para mamar dê preferência com o queixo apontado para região endurecida porque isto ajuda a desempredar mais rápido. O que faz o leite sair do peito é a ocitocina, a massagem tem essa função, portanto, tudo que lhe proporcione relaxamento vai ajudar (banho morno com água quente nas costas, uma massagem nas costas antes da ordenha de alguém que goste, com quem tenha intimidade, etc.). Outras possibilidades de estimular a ocitocina: balançar a mama, estimular levemente o mamilo, massagear a região durante a ordenha ou mamada. Procure evitar o uso de remédios alopáticos como o sinticinon sintético, que podem atrapalhar a ação da ocitocina produzida naturalmente pelo seu corpo. Qual é a alimentação ideal para a mãe durante a amamentação? É interessante que a mãe mantenha uma dieta bem parecida com a da gestação porque o seu bebê já conhece estes alimentos. Se ela for introduzir um novo alimento deve observar o comportamento do bebê. Se ele não apresentar nenhuma reação, então tudo bem!é bom procurar evitar excesso de chocolates, refrigerantes a base de cola, café, chá mate ou preto devido à cafeína, que podem deixar o bebê mais agitado. Conclusão, o ideal é a mãe manter uma dieta equilibrada, sem pular refeições e ingerir líquidos de acordo com a sua sede.
Até que ponto a alimentação da mãe tem a ver com as cólicas do bebê? As cólicas acontecem muitas vezes e nem sempre não têm relação com a dieta da mãe, porque o intestino do bebê está amadurecendo. O que sabe é que o leite materno facilita a digestão fazendo com que este processo de amadurecimento seja mais harmônico. Quando o bebê engole muito ar (chorou demais ou usou mamadeiras) a barriga pode ficar distendida e portanto dolorosa; também o uso dos famosos "chazinhos" ( açucar, mamadeira) também podem produzir mais gazes e piorar as cólicas
* Fabiana Muller Metne, enfermeira e consultora em amamentação, colaboradora da ONG Amigas do Parto. |